Liderança & Pessoas

Fim da Era do "Boa Gente" na Empresa

Rucelmar Reis ·2 de junho de 2026 ·2 min de leitura

Fim da Era do "Boa Gente" na Empresa

Em todas as viradas e revoluções que presenciei, o padrão se repetiu: o mercado não tem paciência para a nostalgia. Aconteceu de novo. Mas dessa vez, a pancada veio de onde muitos consideravam o templo da cultura corporativa intocável.

Em abril de 2026, a Disney demitiu 1.000 pessoas. O detalhe chocante? Ao contrário do que se pode pensar, a empresa não estava sangrando. Pelo contrário. A receita anual havia subido para 94 bilhões de dólares. O streaming, que era o calcanhar de Aquiles, virou lucrativo. Os parques bateram recordes, ultrapassando 10 bilhões em um único trimestre. Eles estavam recomprando 8 bilhões em ações. E, mesmo assim, quando todos entendiam que o momento era muito positivo, a guilhotina desceu. Até um artista veterano, com 16 anos de casa, que desenhou os primeiros traços do Capitão América, foi demitido por e-mail.

Mas o que poderia estar por trás dessa decisão? Por que uma empresa que está ganhando o jogo decide cortar na carne?

O novo CEO da Disney explicou em um memorando interno, e a frase dele resume o espírito do nosso tempo: "Precisamos de uma força de trabalho mais ágil e tecnologicamente capacitada". Não vou entrar no mérito de que quem escreve algo sob trabalho moderno acaba por escolher um memorando para se comunicar. Mas ok.

Na real, isso significa o seguinte: a cultura antiga, aquela do tempo de casa como escudo protetor, não cabe mais no novo jogo. A Disney percebeu que uma empresa pesada, com pessoas desaculturadas da nova realidade tecnológica, é uma bomba-relógio. O "jeitinho" corporativo, de manter quem não se adapta apenas por apego ao passado, acabou.

Isso não é exclusividade da Disney. Olha o padrão: a Meta cortou 21.000 pessoas em dois anos. O Google demitiu 12.000. A Microsoft e a Amazon enxugaram estruturas inteiras, mesmo batendo recordes de lucro. Isso não é crise financeira. É reengenharia cultural.

Estamos vivendo uma redistribuição de competências. A IA e as novas tecnologias não vieram apenas para automatizar tarefas repetitivas. Elas vieram para elevar a barra do que significa ser um profissional útil. Em todos os níveis, do estagiário ao conselho de administração, a integração com a tecnologia deixou de ser um diferencial para ser o oxigênio da operação.

Artigo originalmente publicado no GazzConecta.

Rucelmar Reis

Rucelmar Reis

Sócio Fundador · C-Level · Board Member · Advisor · Mentor

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